O número 1735 da movimentada Avenida Loureiro da Silva, no boêmio bairro Cidade Baixa, é o endereço de uma construção que lembra os castelos medievais. Na chegada, nada de portões eletrônicos ou câmeras de vigilância. Para ter acesso ao interior, o visitante tem que girar uma roldana de madeira de onde recebe uma grande chave enferrujada que dá acesso à sala de visitas.
A recepcionista não veste minissaia nem usa perfume, o seu eu não permite. Vestida com a cor da sua ordem – o marrom – e com óculos fora de moda, que deixam os olhos azuis com um tom esverdeado, Irmã Benedita e seu sorriso são responsáveis por recepcionar os visitantes do Mosteiro Nossa Senhora do Carmo. A visita, entretanto, é mediada por uma grade desgastada pelo tempo.
Aos 52 anos, Benedita Domingues da Silva não acha respostas para explicar o porquê tornou-se o que é. Desde pequena escutava uma voz que lhe sussurrava no ouvido qual deveria ser o seu caminho. Contudo, pertence ao tempo em que a opinião do pai era a que valia. Foi somente depois da morte dele, quando ela tinha 25 anos, que realizou o sonho que tinha desde criança: viver em contemplação a Deus.
Leva uma vida simples como dizem ser a felicidade, preenchida com afazeres domésticos e orações. Nunca se arrepende em ter trocado as milhões de possibilidades do mundo pelo eterno silêncio do mosteiro. Afinal, Irmã Benedita está em paz consigo mesma e talvez o mais importante: com as suas escolhas.










2 Comentários
Junho 27, 2008 às 11:35 am
Oi Rafael, achei que só eu me dava conta do mosteiro do carmo e sua tranquilidade cercada de muros. Dividimos o mesmo segredo. beijo, ana
Junho 27, 2008 às 11:38 am
me atrapalho com esse negócio de comentários, chegou aí o que eu deixei ?