Tenho uma pasta no computador chamada “textos moribundos”. Lá: jogo histórias que não encontram o seu fim ou mesmo, por serem datadas, não possuem mais valor de publicação. Futricando nessa UTI de palavras quase mortas, achei o começo de uma crônica sobre minha luta com mosquitos nesse verão passado. Aqui está:
Estou dormindo com os dedos nos ouvidos. Uma sensação estranha de que um sanguinário mosquito invadirá minhas orelhas e ficará pela eternidade fazendo aquele zizizizzi infernal pertinho dos meus tímpanos é uma das minhas companhias nessas noites calorosas do verão porto-alegrense. Não sei o porquê, mas morro de medo que ocorra algo com meus tímpanos. É ridículo, mas confesso: não gosto nem de pronunciar a palavra tímpano. E a culpa disso é deles: os mosquitos.
Demorei para conhecer um mosquito. Acho que o encontro ocorreu quando tinha uns dez anos ao participar de um acampamento pra lá de gaudério. Até então, não entendia porque as pessoas compravam aquelas pastilhas verdinhas fedorentas para colocar em seus quartos à noite e menos ainda porque algumas durmiam com uma espécie de óleo mais fedido ainda. Aliás, a maioria das coisas chatas fedem. Os cartórios fedem.
Há duas semanas, eu e os mosquitos com suas existencias insignificantes (para que servem os mosquitos além de alimentar sapos e transmitirem dengue?) voltamos a nos encontrar, ou melhor: a dormir juntos. Tal encontro noturno deve-se ao mau desempenho do meu ar-condicionado que rependinamente parou de funcionar. Daí, por causa do calor, tenho que dormir com as janelas escancaradas….





