Posts Tagged ‘Filme’

Tudo se ilumina

Junho 19, 2008

         Comprei um girassol. A sua beleza amarela durou apenas quatro dias. No quinto, ele murchou. Prefiro acreditar que foi culpa do frio.

        Falando nessas plantas que passam o dia fitando o sol, lembrei do filme Uma Vida Iluminada. Baseado no livro do escritor Jonathan Safran Foer, o longa – primeira direção do maluquinho Liev Schreiber – traz o ator Elijah Wood como protagonista de uma história sensível e engraçada que narra a busca de um garoto por uma mulher que salvou seu avô na 2ª Guerra Mundial. E é nessa viagem até a Ucrânia que surgem os campos de girassóis e uma fotografia magnífica – como essa que ilustra o post.

        Ah, para entender porque chamei o diretor Liev Schreiber de maluquinho assista aos extras do DVD de Uma Vida Iluminada. Bom filme!

Assista ao trailer de Uma Vida Iluminada

Veja a cena onde os girassóis aparecem no filme

Bem me quer, mal me quer

Maio 29, 2008

          Tão degradante quanto escutar David Bowie e Placebo cantando Without You I’m Nothing é na seqüência comer laranja de umbigo assistindo à personagem da Alinne Moraes, a Sílvia, tendo um ataque psicótico na novela Duas Caras. Contudo, esses fatos me fizeram lembrar do filme Bem Me Quer, Mal Me Quer – interpretado pela eterna Amélie Poulain, Audrey Tautou.

           Bem Me Quer, Mal Me Quer, dirigido por Laetitia Colombani, nos apresenta Angélique – uma artista plástica que desenvolve uma paixão desmedida pelo médico Loïc. Segundo minhas pesquisas no Google, o longa aborda a tal Síndrome de Clèrambault: delírio convicto cujo  a pessoa acha estar sendo amada por alguém, mesmo nunca tenha tido um contato próximo à ela. Essa doença também é conhecida como erotomania. Esses delírios geralmente ocorrem para satisfazer a procura por experiências sexuais ou na adaptação em dificuldades que o sujeito sofre na vida.

         Para não saírem espalhando por aí que esse blog é uma terra de tragédias, finalizo o post com uma outra lembrança cinematográfica: o longa francês Um Lugar na Platéia, de Danièle Thompson. A comédia é uma verdadeira celebração a principal arma para enfrentarmos esses tempos modernosos: o amor próprio.

Música Without You I´m Nothing – Placebo e David Bowie

Alguns barracos de Sílvia, em Duas Caras

Trechos do filme Bem Me Quer, Mal Me Quer

 

Trailer do longa Um Lugar na Platéia


 

A aventura dos sentidos de Speed Racer

Maio 23, 2008

           Duas palavras resumem o filme Speed Racer: sentido e intensidade. Não que o novo longa dos irmãos Wachowski – os mesmos diretores de Matrix – seja uma viagem filosófica sobre tais temas, mas a história do herói criado em 1967 por Tatsuo Yoshida nada mais é do que a luta de um jovem idealista em busca das coisas que fazem sentido para ele. Tudo com muita intensidade e cor.

          Parece simplista resumir Speed Racer em duas palavras já que assistimos a um vislumbre visual que – sem medo de escrever besteira – é totalmente inovador e algumas cenas equivalem em sensação às obtidas em games, só que com mais cor e impacto. É provável que daqui uma década ainda se fale do “Speed Racer dos Wachowski” com reverência. Entretanto, o que realmente me fascinou nesse filme foi a bela adaptação da história que poderia ficar ofuscada com tantos efeitos visuais, mas que ganhou forma e por vezes até emociona.

           Speed Racer – protagonizado por Emile Hirsch, o mesmo do maravilhoso Na Natureza Selvagem – narra a história de um garoto que nunca teve dúvidas do que queria na vida: correr. Esse era o sentido maior que o movia. No caminho, não faltaram pedrinhas o desviando desse objetivo. Contudo, o intenso Speed Racer joga-se na pista como se cada corrida fosse a última de sua jovem existência. Quanto mais obstáculos, mais espetáculo de cores psicodélicas o telespectador verá. Assim como na vida, o resultado das coisas mais difíceis são as mais belas.

          Num mundo onde é freqüente as pessoas abrirem mão de seus “sentidos” em troca da estabilidade dos concursos públicos, Speed Racer é um tapa na cara colorido. Ele faz você entrar na pista, correr e – se possível – vencer.

Assista ao trailer do filme Speed Racer:

O lugar seguro

Maio 16, 2008

         O dia começa. Você acorda. Toma um banho escutando em alto volume suas bandas preferidas. Come fandangos com coca-cola, apesar de todos dizerem que isso não é saudável. Despede-se das pessoas e coisas que vivem ao seu redor, as quais tanto ama. Entra no elevador. Cumprimenta a vizinha do cabelo roxo do décimo andar. Abre o portão e, agora, não está mais seguro.

         Com as tantas possibilidades de interpretações do filme Ensinando a Viver (Martian Child / EUA/2007) – que vale lembrar que foi baseado em um conto do escritor David Gerrold – o que se sobressai, na minha opinião, foi o que tentei ilustrar no parágrafo acima: o lugar seguro que todos buscamos.  

         No começo do longa, o garotinho Dennis – interpretado por Bobby Coleman -  tinha uma caixa de papelão como “moradia”. Entretanto, tudo mudou quando o escritor de ficção científica David – protagonizado por John Cusack - viu nele o seu próprio lugar seguro. Daí por diante,  ocorre uma construção mútua de uma relação pai-filho sem perder de vista as particularidades de ambos. Mesmo que essas – da parte de Dennis – seja nutrir hábitos marcianos.

          É bom frizar que não me refiro apenas a lugares físicos onde você se enclausura e está livre de todos os perigos terráqueos. Está em pauta um território imaginário – formado por pessoas amadas – onde poderá se despir de todas as máscaras sociais. Aqui, está seguro. Você pode ser de Marte ou de qualquer outro Planeta. Entretanto, lembre-se: lá fora – junto com os terráqueos – você tem que seguir as normas da Terra, por mais hipócritas que elas possam ser. E muitas delas são mesmo.

           Ensinando a Viver, como o título sugere, também é uma lição de como ser um humano num mundo de soldadinhos que marcham a mesma música. Em determinado momento, a editora de David o questiona: “porque você não é aquilo que a gente espera de você”. O escritor torce os dedos, imagina que sua mão tornou-se uma arma marciana e parte para o lugar onde estará seguro. Lá, ninguém espera mais do que realmente ele é.

Assista ao trailler do filme Ensinando a Viver


 

Todos querem dinheiro

Maio 13, 2008

         Imagine a cena: você é um agente imobiliário pobretão e gostaria muito de morar num dos lindos apartamentos que mostra para seus clientes. Num impulso romântico, resolve tirar uma casquinha do seu posto e convida seu love para uma noite numa dessas maravilhosas habitações. Só que algo sai errado: você encontra uma mala de dinheiro de um defunto. Acha que sua vida acaba de se resolver para sempre. Ledo engando…

         O parágrafo acima – levemente adaptado – é a história do filme espanhol A Comunidade, de Álex de La Iglesia. Apesar do longa ser de 2000, não tenho dúvidas que foi uma das produções mais instigantes que assiti nos últimos tempos. Ele mostra de forma sarcástica, engraçada e por vezes horripilante a luta – literalmente – por dinheiro. O telespectador mais atento pode notar influências de Delicatessen, filme que revelou o diretor Jean-Pierre Jeunet – de Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Aliás, outra obra que não pode deixar de ser vista.

Assista ao trailler oficial do filme

Mais cenas do longa A Comunidade